segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
esboço de memória
perdi algumas coisas importantes ontem, entre elas um assovio, uma frase que me marcou, contatos antigos, fotos do mustafá, a companhia da Marina..
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
esboço de algodão
pétalas, rosa, dor, o que o leite faz que a suavidade não pode mais alcançar um pepino de modo que a luz acima branca, as vezes amarela chega em um fundo azul sem o mínimo controle dos sentimentos ou da opacidade da mente, queria uma maciez aveludada de lírio ou um cetim cor de algodão e com textura de nuvens ou silêncio. Sempre mais difícil imaginar o que é a escuridão do quarto, do abismo, que nutre a pedra, a rocha, a bola, o bule de chá de carqueja, não é uma palavra difícil de engolir com soda caustica, embebida de licor, num lago cheio de carpas azuis sem distinção de modos mas falando japonês ou grego, sem saber se é ouro ou prata, ou moeda de licor. Sem saber se cor se faz com o vento e vida se faz com saúde de cosméticos.
domingo, 6 de novembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
esboço de falta
Eu sinto tanto a sua falta que as vezes só sobra o bagaço do vazio que eu espremi com força. Minhas mãos estão perdidas, nenhuma outra mão supriu tão forte a carência dos meus dedos. Nenhuma palma amou tanto a outra. Sinto uma falta eterna do seu abraço. QUERO o mesmo poema do Drummond. Queria estar num filme de Jeunet porque de fato espero que você bata na minha porta como um sonho, me trazendo de volta para outro sonho. Sinto tanto a sua falta que comeria as palavras para chorar um tanto de saudade, e que meus braços ao te abraçar jamais entenderiam viver sem envolver a nossa falta de compreensão do tempo. O tempo sempre me enganou quando estava com você.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
esboço de sonho 1/04/09
Estava no ônibus subindo a Cardoso, perto de mim havia uma mulher impaciente e irritada. Discuti brevemente com ela e logo em seguida lembrei-me de perguntar seu nome. Isabel... Eu acho. Sei que a partir desse ponto ela se acalmou. Reconhecemo-nos de algum outro momento que nenhum dos dois realmente lembrou. Quando o ônibus estava próximo a Doutor Arnaldo, ela exclamou olhando para fora da janela! O asfalto estava encharcado e havia baratas grandes, do tamanho de sapatos adultos. Aos poucos surgiram lagostas pré-históricas, umas três ou mais na rua, nervosas batendo as pinças. Senti um alívio de ter pegado ônibus ao invés de ir a pé. Mas não deixei de olhar com delícia as lagostas. O ônibus virou para a direita (normalmente ele nunca vira para direita), como se estivesse indo direto para o metrô Sumaré. Seguíamos eternamente o tempo do trânsito. Foi então que apareceu um elefante branco acinzentado entre os carros, junto com outros animais de grande porte. Um morcego albino enorme parou na frente do elefante com as asas abertas. Isabel... Eu acho. Alertou-me para tomar cuidado enquanto eu andava até a porta do ônibus, pois a essa altura já havia muitos bichos voadores. Ao andar em direção a porta reparei, pela primeira vez, que o teto do veículo estava aberto. (Depois me dei conta que Isabel havia me chamado de Daniel). Eu e outra passageira apertamos o sinal e o motorista parou um pouquinho antes do ponto. Acenei em despedida. Acho que foi para o nada. Ou talvez para o ônibus inteiro. Logo que desci passei próximo a um homem que anunciava: - Jornais do mundo místico! Mas sinceramente eu queria era notícias do mundo material, e perguntei a ele num tom descontraído o que estava acontecendo, se o zoológico havia quebrado. O homem, um senhor redondo de bigodes prata, baixou os olhos cansados como se tivesse que esclarecer o óbvio a alguém que não fazia a mínima ideia do que estava falando. Informou gentilmente que uma das alas do cemitério havia quebrado. Quis voltar a dormir, mas não lembrei o caminho.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
esboço de pergunta
E se nossos olhares, numa angústia boa de segundos intermináveis, fossem a única certeza verdadeira e momentânea da nossa existência...
domingo, 24 de abril de 2011
esboço de queda
O dia em que não me vi e estava a beira de um parapeito sem perceber que o chão já havia alcançado algumas nuvens e que não se pode fazer muita coisa com um par de asas quebradas. E se eu continuar invisível pra mim, não sei em quantas décadas serei capaz de levantar desse céu de asfalto molhado. Se ao menos tivessem braços por perto...mas não poderiam achar um corpo invisível e não sentiriam o calor das minhas mãos por que as conservei fechadas quando senti que o baque seria uma luta. Se pelo menos as perspectivas não fugissem tão logo surgem na minha cabeça, poderia pegar carona num pé de vento para quem sabe pegar emprestado um par de pernas que ao correr produzisse alguma cor? É que como não me vejo a muito tempo já não sei aonde foram parar as minhas pernas.
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