domingo, 6 de novembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
esboço de falta
Eu sinto tanto a sua falta que as vezes só sobra o bagaço do vazio que eu espremi com força. Minhas mãos estão perdidas, nenhuma outra mão supriu tão forte a carência dos meus dedos. Nenhuma palma amou tanto a outra. Sinto uma falta eterna do seu abraço. QUERO o mesmo poema do Drummond. Queria estar num filme de Jeunet porque de fato espero que você bata na minha porta como um sonho, me trazendo de volta para outro sonho. Sinto tanto a sua falta que comeria as palavras para chorar um tanto de saudade, e que meus braços ao te abraçar jamais entenderiam viver sem envolver a nossa falta de compreensão do tempo. O tempo sempre me enganou quando estava com você.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
esboço de sonho 1/04/09
Estava no ônibus subindo a Cardoso, perto de mim havia uma mulher impaciente e irritada. Discuti brevemente com ela e logo em seguida lembrei-me de perguntar seu nome. Isabel... Eu acho. Sei que a partir desse ponto ela se acalmou. Reconhecemo-nos de algum outro momento que nenhum dos dois realmente lembrou. Quando o ônibus estava próximo a Doutor Arnaldo, ela exclamou olhando para fora da janela! O asfalto estava encharcado e havia baratas grandes, do tamanho de sapatos adultos. Aos poucos surgiram lagostas pré-históricas, umas três ou mais na rua, nervosas batendo as pinças. Senti um alívio de ter pegado ônibus ao invés de ir a pé. Mas não deixei de olhar com delícia as lagostas. O ônibus virou para a direita (normalmente ele nunca vira para direita), como se estivesse indo direto para o metrô Sumaré. Seguíamos eternamente o tempo do trânsito. Foi então que apareceu um elefante branco acinzentado entre os carros, junto com outros animais de grande porte. Um morcego albino enorme parou na frente do elefante com as asas abertas. Isabel... Eu acho. Alertou-me para tomar cuidado enquanto eu andava até a porta do ônibus, pois a essa altura já havia muitos bichos voadores. Ao andar em direção a porta reparei, pela primeira vez, que o teto do veículo estava aberto. (Depois me dei conta que Isabel havia me chamado de Daniel). Eu e outra passageira apertamos o sinal e o motorista parou um pouquinho antes do ponto. Acenei em despedida. Acho que foi para o nada. Ou talvez para o ônibus inteiro. Logo que desci passei próximo a um homem que anunciava: - Jornais do mundo místico! Mas sinceramente eu queria era notícias do mundo material, e perguntei a ele num tom descontraído o que estava acontecendo, se o zoológico havia quebrado. O homem, um senhor redondo de bigodes prata, baixou os olhos cansados como se tivesse que esclarecer o óbvio a alguém que não fazia a mínima ideia do que estava falando. Informou gentilmente que uma das alas do cemitério havia quebrado. Quis voltar a dormir, mas não lembrei o caminho.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
esboço de pergunta
E se nossos olhares, numa angústia boa de segundos intermináveis, fossem a única certeza verdadeira e momentânea da nossa existência...
domingo, 24 de abril de 2011
esboço de queda
O dia em que não me vi e estava a beira de um parapeito sem perceber que o chão já havia alcançado algumas nuvens e que não se pode fazer muita coisa com um par de asas quebradas. E se eu continuar invisível pra mim, não sei em quantas décadas serei capaz de levantar desse céu de asfalto molhado. Se ao menos tivessem braços por perto...mas não poderiam achar um corpo invisível e não sentiriam o calor das minhas mãos por que as conservei fechadas quando senti que o baque seria uma luta. Se pelo menos as perspectivas não fugissem tão logo surgem na minha cabeça, poderia pegar carona num pé de vento para quem sabe pegar emprestado um par de pernas que ao correr produzisse alguma cor? É que como não me vejo a muito tempo já não sei aonde foram parar as minhas pernas.
terça-feira, 19 de abril de 2011
esboço de aflição
se estou escrevendo agora é porque preciso tirar do peito um suspiro tão profundo quanto céu. é preciso que essa massa de ar e som abismais se arraste pelo atlântico até dar a volta e chegar ao pacífico. caso contrário a pressão vai me esmagar até o dia seguinte. E até lá pretendo respirar.
domingo, 3 de abril de 2011
esboço entalado
É que a possibilidade desse sentimento platônico se tornar real mexe com o equilíbrio do meu estômago e das minhas vísceras. e se eu busco entender vou me confudir ainda mais...sei que vou...porque agora estou me acabando no esforço de encontrar um jeito de traduzir meus engasgos. não é isso...é que a imagem é completamente diferente das palavras. e tudo que me vem aos dedos parece infinitamente menor do que a sensação de euforia entalada no meu peito. pois é. entalou. Afinal há uma tonelada de dúvidas e hesitações na minha orelha...
quarta-feira, 30 de março de 2011
esboço de beijo
Qual a sensação quando se pode dar passos no ar, enfrentar milhares de sombras, viajar para o espaço, esquentar um sanduíche de queijo num forno que poderiam ser as turbinas da nave, e que é roubado na mesma hora por uma sombra de avental e capote branco, óculos com haste rosa e uma grande cabeça? E estar tudo bem porque seu melhor amigo sentou do seu lado, te abraçou e enconstou os lábios delicadamente na sua bochecha, e você respodeu: - eu ia fazer a mesma coisa.
hoje passei metade do dia com uma vaga sensação de beijo.
domingo, 20 de março de 2011
cair é minha diversão de criança
(...)Outro fato marcante é que sempre fui bom em cair. E nunca quebrei um osso. Se precisasse escolher algo em mim para chamar de dom, se fosse um concurso de talentos, se existisse tal coisa como uma aptidão “natural”...a minha seria cair. Sei cair com jeito, sem saber que cai e sem me machucar. Isso foi provado desde pequeno, quando desci as escadas de casa com um velotrol, e nem pra rachar a cuca. Deve ser um dos motivos pelo qual o circo me chamou atenção. Se tem uma coisa que todo o artista de circo aprende é a cair. Cair é minha diversão de criança.
(trecho do curta: Em Busca de.)
(trecho do curta: Em Busca de.)
sábado, 12 de março de 2011
esboço em construção
as vezes os pensamentos estão em estado líquido para se adaptarem a qualquer forma. meu maior problema é quando começam a escorrer pelas janelas. o tempo de vida de uma gota é muito curto.
hoje eu quero conseguir espreguiçar aquelas imagens empoeiradas que alguém deixou encostadas entre o armário e a escrivaninha. Esse alguém não fui eu.
hoje eu quero conseguir espreguiçar aquelas imagens empoeiradas que alguém deixou encostadas entre o armário e a escrivaninha. Esse alguém não fui eu.
quinta-feira, 10 de março de 2011
esboço (primeiro experimento)
não há como saber em xícaras a dose certa do que senti. Faço tudo a olho. E devagar derramo uma porção de idéias desconexas, que se ocupam em formas estranhas ao meu pensamento. Se eu seguisse a receita não daria certo.
esboço de tinta
me sinto segurando meu próprio rosto, as bochechas com vergonha, tencionando os músculos da cara num sorriso tímido, com um ponto de interrogação enorme no lugar dos olhos. não me venha com palavras sem cor que não alcançam os braços para segurar alguma coisa. seguro meu rosto, pois o verde balança na copa das árvores, o cinza líquido está pavimentado nas nuvens e o azul escorre lentamente no céu. seguro o rubor do meu silêncio.
terça-feira, 1 de março de 2011
esboço de vida
Nunca viver me pareceu vestir tão bem no meu corpo. me abrem janelas de orvalho para espiar a intimidade de uma gota. meu maior prazer é ouvir palavras que não existem e enxergar o silêncio calmo de uma bolha de sabão.
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