quarta-feira, 30 de março de 2011

esboço de beijo

Qual a sensação quando se pode dar passos no ar, enfrentar milhares de sombras, viajar para o espaço, esquentar um sanduíche de queijo num forno que poderiam ser as turbinas da nave, e que é roubado na mesma hora por uma sombra de avental e capote branco, óculos com haste rosa e uma grande cabeça? E estar tudo bem porque seu melhor amigo sentou do seu lado, te abraçou e enconstou os lábios delicadamente na sua bochecha, e você respodeu: - eu ia fazer a mesma coisa. hoje passei metade do dia com uma vaga sensação de beijo.

domingo, 20 de março de 2011

cair é minha diversão de criança

(...)Outro fato marcante é que sempre fui bom em cair. E nunca quebrei um osso. Se precisasse escolher algo em mim para chamar de dom, se fosse um concurso de talentos, se existisse tal coisa como uma aptidão “natural”...a minha seria cair. Sei cair com jeito, sem saber que cai e sem me machucar. Isso foi provado desde pequeno, quando desci as escadas de casa com um velotrol, e nem pra rachar a cuca. Deve ser um dos motivos pelo qual o circo me chamou atenção. Se tem uma coisa que todo o artista de circo aprende é a cair. Cair é minha diversão de criança.


(trecho do curta: Em Busca de.)

sábado, 12 de março de 2011

esboço em construção

as vezes os pensamentos estão em estado líquido para se adaptarem a qualquer forma. meu maior problema é quando começam a escorrer pelas janelas. o tempo de vida de uma gota é muito curto.

hoje eu quero conseguir espreguiçar aquelas imagens empoeiradas que alguém deixou encostadas entre o armário e a escrivaninha. Esse alguém não fui eu.

quinta-feira, 10 de março de 2011

esboço (primeiro experimento)

não há como saber em xícaras a dose certa do que senti. Faço tudo a olho. E devagar derramo uma porção de idéias desconexas, que se ocupam em formas estranhas ao meu pensamento. Se eu seguisse a receita não daria certo.

esboço de tinta

me sinto segurando meu próprio rosto, as bochechas com vergonha, tencionando os músculos da cara num sorriso tímido, com um ponto de interrogação enorme no lugar dos olhos. não me venha com palavras sem cor que não alcançam os braços para segurar alguma coisa. seguro meu rosto, pois o verde balança na copa das árvores, o cinza líquido está pavimentado nas nuvens e o azul escorre lentamente no céu. seguro o rubor do meu silêncio.

terça-feira, 1 de março de 2011

esboço de vida

Nunca viver me pareceu vestir tão bem no meu corpo. me abrem janelas de orvalho para espiar a intimidade de uma gota. meu maior prazer é ouvir palavras que não existem e enxergar o silêncio calmo de uma bolha de sabão.

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Na melhor das hipóteses um sonhador.

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