domingo, 18 de abril de 2010

esboço

a ponto de explodir. devo estar passando por algum período esquisito de troca de pele, casca, casa, qualquer coisa que me dê uma perspectiva renovada, revisitada, e que seja "re" por que não queria pensar que simplesmente não sei mais nada de mim...como se o novo destruisse tudo o que eu fui...claro, me apeguei a algumas ilusões de tempo...o que eu fui morreu pra dar espaço ao novo. estar vivo é um movimento irregular constante. por isso dançar é tão maravilhoso.

a ponto de explodir por que alguma coisa de fato quer sair fora dos meus limites. claro, me apeguei a pensar que posso conter o grito em limites palpáveis. Tem uma esquisitisse que não se adequa a nenhum padrão que eu conheça, e eu não consigo achar o ritmo pra dançar com esse desconhecido.

estou num período de morte, essa é a impressão mais clara e objetiva do agora, e que se aproxima com uma realidade onírica cada vez mais intensa quando fecho os olhos. o que entendo por período de morte corresponde ao que entendo por período de vida. hoje pensei que fosse morrer de sonho.

segunda-feira, 1 de março de 2010

declaração de fluxo

o que eu mais gosto é sentir o suor escorrendo em gotas pelo meu corpo como se estivéssemos debaixo de chuva. me esfregar no seu corpo é um céu que se esvai a cada segundo, um desejo raro e único que não se faz sem qualquer intenção de estrela. é como se ao entrar em você ocorresse uma explosão atômica, pois não saberia outra maneira de me fundir e tampouco sei do pedaço gigantesco de mim que se perdeu em ti. sei da depressão e do vazio desse espaço. ao meu ver tinha que ser assim. Sem poupar energia em algo que me aproxima da minha existência. Amo. quero sempre mesmo que sempre não passe de uma ilusão silenciosa. fico louco, doido, maluco, sedento de tocar teu corpo com todos os sentidos possíveis de alcançar. não posso. nosso coração se esvai na (des)sincronia.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Esboço reticente

Eu quero um pouco de abafado pra superar esse vento me escorre o desânimo pelas têmporas e gosto do estado de entrega ao distorcido da miragem não vai estar presente daqui a um segundo não possuo olhos para distinguir e entender o momento meu momento é feito de idéias picadas que contrariam toda a ordem estabelecida pela simetria dos meus óculos são meus olhos que absorvem a paisagem como as janelas recortam meus momentos e ainda sim captar a paisagem não parece estar mais próximo de mim do que um sonho segundos antes de acordar meu raciocínio oscila mas não me abandona como gostaria de poder estar mais num estado de escuta do que o falso abandono que simulo ao mergulhar no vazio minha cabeça suspende no vazio adormeci no silêncio num intervalo que se estende sem pressa. No silêncio um intervalo se estende sem pressa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Suicídio frustrado

Um dia sem perceber me perdi. E ainda sem perceber continuei me perdendo até reconhecer que sei muito pouco dessas células novas que formam minha pele. Com quantos mantos já não me cobri sem perceber? Assusta-me não saber voltar por onde eu vim... Ou me assusta mais chegar ao mesmo local de onde parti... Estou tão à deriva que desconheço meus medos. Estão situados em algum borrão impreciso, que quando alguém encosta mancha. E se espalha. E quando percebo meus dedos sujos é por que foi tarde demais, e eu já me perdi. Nesse exato instante em que a sujeira transbordou qualquer limite traçado no meu corpo, me agarro a pequena esperança de achar ainda vivo, um fio solto pra me desfiar.

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Na melhor das hipóteses um sonhador.

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