domingo, 24 de abril de 2011
esboço de queda
O dia em que não me vi e estava a beira de um parapeito sem perceber que o chão já havia alcançado algumas nuvens e que não se pode fazer muita coisa com um par de asas quebradas. E se eu continuar invisível pra mim, não sei em quantas décadas serei capaz de levantar desse céu de asfalto molhado. Se ao menos tivessem braços por perto...mas não poderiam achar um corpo invisível e não sentiriam o calor das minhas mãos por que as conservei fechadas quando senti que o baque seria uma luta. Se pelo menos as perspectivas não fugissem tão logo surgem na minha cabeça, poderia pegar carona num pé de vento para quem sabe pegar emprestado um par de pernas que ao correr produzisse alguma cor? É que como não me vejo a muito tempo já não sei aonde foram parar as minhas pernas.
terça-feira, 19 de abril de 2011
esboço de aflição
se estou escrevendo agora é porque preciso tirar do peito um suspiro tão profundo quanto céu. é preciso que essa massa de ar e som abismais se arraste pelo atlântico até dar a volta e chegar ao pacífico. caso contrário a pressão vai me esmagar até o dia seguinte. E até lá pretendo respirar.
domingo, 3 de abril de 2011
esboço entalado
É que a possibilidade desse sentimento platônico se tornar real mexe com o equilíbrio do meu estômago e das minhas vísceras. e se eu busco entender vou me confudir ainda mais...sei que vou...porque agora estou me acabando no esforço de encontrar um jeito de traduzir meus engasgos. não é isso...é que a imagem é completamente diferente das palavras. e tudo que me vem aos dedos parece infinitamente menor do que a sensação de euforia entalada no meu peito. pois é. entalou. Afinal há uma tonelada de dúvidas e hesitações na minha orelha...
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