segunda-feira, 30 de maio de 2011

esboço de pergunta

E se nossos olhares, numa angústia boa de segundos intermináveis, fossem a única certeza verdadeira e momentânea da nossa existência...

domingo, 24 de abril de 2011

esboço de queda

O dia em que não me vi e estava a beira de um parapeito sem perceber que o chão já havia alcançado algumas nuvens e que não se pode fazer muita coisa com um par de asas quebradas. E se eu continuar invisível pra mim, não sei em quantas décadas serei capaz de levantar desse céu de asfalto molhado. Se ao menos tivessem braços por perto...mas não poderiam achar um corpo invisível e não sentiriam o calor das minhas mãos por que as conservei fechadas quando senti que o baque seria uma luta. Se pelo menos as perspectivas não fugissem tão logo surgem na minha cabeça, poderia pegar carona num pé de vento para quem sabe pegar emprestado um par de pernas que ao correr produzisse alguma cor? É que como não me vejo a muito tempo já não sei aonde foram parar as minhas pernas.

terça-feira, 19 de abril de 2011

esboço de aflição

se estou escrevendo agora é porque preciso tirar do peito um suspiro tão profundo quanto céu. é preciso que essa massa de ar e som abismais se arraste pelo atlântico até dar a volta e chegar ao pacífico. caso contrário a pressão vai me esmagar até o dia seguinte. E até lá pretendo respirar.

domingo, 3 de abril de 2011

esboço entalado

É que a possibilidade desse sentimento platônico se tornar real mexe com o equilíbrio do meu estômago e das minhas vísceras. e se eu busco entender vou me confudir ainda mais...sei que vou...porque agora estou me acabando no esforço de encontrar um jeito de traduzir meus engasgos. não é isso...é que a imagem é completamente diferente das palavras. e tudo que me vem aos dedos parece infinitamente menor do que a sensação de euforia entalada no meu peito. pois é. entalou. Afinal há uma tonelada de dúvidas e hesitações na minha orelha...

quarta-feira, 30 de março de 2011

esboço de beijo

Qual a sensação quando se pode dar passos no ar, enfrentar milhares de sombras, viajar para o espaço, esquentar um sanduíche de queijo num forno que poderiam ser as turbinas da nave, e que é roubado na mesma hora por uma sombra de avental e capote branco, óculos com haste rosa e uma grande cabeça? E estar tudo bem porque seu melhor amigo sentou do seu lado, te abraçou e enconstou os lábios delicadamente na sua bochecha, e você respodeu: - eu ia fazer a mesma coisa. hoje passei metade do dia com uma vaga sensação de beijo.

domingo, 20 de março de 2011

cair é minha diversão de criança

(...)Outro fato marcante é que sempre fui bom em cair. E nunca quebrei um osso. Se precisasse escolher algo em mim para chamar de dom, se fosse um concurso de talentos, se existisse tal coisa como uma aptidão “natural”...a minha seria cair. Sei cair com jeito, sem saber que cai e sem me machucar. Isso foi provado desde pequeno, quando desci as escadas de casa com um velotrol, e nem pra rachar a cuca. Deve ser um dos motivos pelo qual o circo me chamou atenção. Se tem uma coisa que todo o artista de circo aprende é a cair. Cair é minha diversão de criança.


(trecho do curta: Em Busca de.)

sábado, 12 de março de 2011

esboço em construção

as vezes os pensamentos estão em estado líquido para se adaptarem a qualquer forma. meu maior problema é quando começam a escorrer pelas janelas. o tempo de vida de uma gota é muito curto.

hoje eu quero conseguir espreguiçar aquelas imagens empoeiradas que alguém deixou encostadas entre o armário e a escrivaninha. Esse alguém não fui eu.

Quem sou eu

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Na melhor das hipóteses um sonhador.

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