quarta-feira, 29 de agosto de 2012
esboço sobre rios e mares
Entendi o que é esparramar e estar em todos os lugares sem estar em lugar algum...andei com um ser que esparramava todos os seus sentimentos em cantos que ocupavam uma avenida inteira...andei com um rio. Entendi esparramar.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
esboço de vazio
algumas feridas revelam uma profundidade assustadora. dá para sentir o espaço vazio, onde deveria ter carne, líquido, nervos, veias. é apenas espaço vazio, uma pausa esquecida, uma ausência infinita. sabiamente vulnerável.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
esboço de memória
perdi algumas coisas importantes ontem, entre elas um assovio, uma frase que me marcou, contatos antigos, fotos do mustafá, a companhia da Marina..
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
esboço de algodão
pétalas, rosa, dor, o que o leite faz que a suavidade não pode mais alcançar um pepino de modo que a luz acima branca, as vezes amarela chega em um fundo azul sem o mínimo controle dos sentimentos ou da opacidade da mente, queria uma maciez aveludada de lírio ou um cetim cor de algodão e com textura de nuvens ou silêncio. Sempre mais difícil imaginar o que é a escuridão do quarto, do abismo, que nutre a pedra, a rocha, a bola, o bule de chá de carqueja, não é uma palavra difícil de engolir com soda caustica, embebida de licor, num lago cheio de carpas azuis sem distinção de modos mas falando japonês ou grego, sem saber se é ouro ou prata, ou moeda de licor. Sem saber se cor se faz com o vento e vida se faz com saúde de cosméticos.
domingo, 6 de novembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
esboço de falta
Eu sinto tanto a sua falta que as vezes só sobra o bagaço do vazio que eu espremi com força. Minhas mãos estão perdidas, nenhuma outra mão supriu tão forte a carência dos meus dedos. Nenhuma palma amou tanto a outra. Sinto uma falta eterna do seu abraço. QUERO o mesmo poema do Drummond. Queria estar num filme de Jeunet porque de fato espero que você bata na minha porta como um sonho, me trazendo de volta para outro sonho. Sinto tanto a sua falta que comeria as palavras para chorar um tanto de saudade, e que meus braços ao te abraçar jamais entenderiam viver sem envolver a nossa falta de compreensão do tempo. O tempo sempre me enganou quando estava com você.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
esboço de sonho 1/04/09
Estava no ônibus subindo a Cardoso, perto de mim havia uma mulher impaciente e irritada. Discuti brevemente com ela e logo em seguida lembrei-me de perguntar seu nome. Isabel... Eu acho. Sei que a partir desse ponto ela se acalmou. Reconhecemo-nos de algum outro momento que nenhum dos dois realmente lembrou. Quando o ônibus estava próximo a Doutor Arnaldo, ela exclamou olhando para fora da janela! O asfalto estava encharcado e havia baratas grandes, do tamanho de sapatos adultos. Aos poucos surgiram lagostas pré-históricas, umas três ou mais na rua, nervosas batendo as pinças. Senti um alívio de ter pegado ônibus ao invés de ir a pé. Mas não deixei de olhar com delícia as lagostas. O ônibus virou para a direita (normalmente ele nunca vira para direita), como se estivesse indo direto para o metrô Sumaré. Seguíamos eternamente o tempo do trânsito. Foi então que apareceu um elefante branco acinzentado entre os carros, junto com outros animais de grande porte. Um morcego albino enorme parou na frente do elefante com as asas abertas. Isabel... Eu acho. Alertou-me para tomar cuidado enquanto eu andava até a porta do ônibus, pois a essa altura já havia muitos bichos voadores. Ao andar em direção a porta reparei, pela primeira vez, que o teto do veículo estava aberto. (Depois me dei conta que Isabel havia me chamado de Daniel). Eu e outra passageira apertamos o sinal e o motorista parou um pouquinho antes do ponto. Acenei em despedida. Acho que foi para o nada. Ou talvez para o ônibus inteiro. Logo que desci passei próximo a um homem que anunciava: - Jornais do mundo místico! Mas sinceramente eu queria era notícias do mundo material, e perguntei a ele num tom descontraído o que estava acontecendo, se o zoológico havia quebrado. O homem, um senhor redondo de bigodes prata, baixou os olhos cansados como se tivesse que esclarecer o óbvio a alguém que não fazia a mínima ideia do que estava falando. Informou gentilmente que uma das alas do cemitério havia quebrado. Quis voltar a dormir, mas não lembrei o caminho.
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